(Revista Eletrônica Cristianismo Hoje)
O declínio de uma organização passa por cinco estágios nem sempre fáceis de perceber. Recentemente, um grupo de pesquisadores americanos escreveu uma obra com o nome How The Mighty Falls (ainda sem título em português).
Esta obra foi inspirada em uma conversa durante um seminário, no qual alguns líderes de setores tão diversos como o militar e o de empreendimentos sociais reuniram-se para explorar temas de interesse comum a todos. O tema era a grandeza da América e os riscos desse gigantismo. O receio geral era de que o sucesso encobrisse o perigo e os alertas do declínio. Saíram de lá pensando em como seria possível perceber que uma organização aparentemente saudável pudesse estar enfrentando sérios problemas. Identificaram, então, cinco sinais de problemas que, muitas vezes são imperceptíveis às lideranças.
1. O primeiro é a autoconfiança como fruto do sucesso. “Prestamos um desserviço a nós mesmos quando estudamos apenas sobre sucesso”, afirma Collins. Uma pesquisa e análise acerca de empreendimentos mostra que poucos livros investigam as raízes do fracasso. Parece que existe a presunção de que o sucesso é inevitável, razão pela qual não se torna necessário considerar as possíveis conseqüências de uma queda.
A confiança exagerada em si mesmos, nos sistemas que criam ou na própria capacidade para resolver tudo faz com que os líderes não enxerguem seus pontos de fraqueza. Subestimar os problemas e superestimar a própria capacidade de lidar com eles é autoconfiança em excesso.
2. A busca pelo crescimento exagerado é o segundo estágio que antecede a derrocada, seja de uma organização secular ou de um ministério cristão. Muitos líderes tornam-se cegos pelo êxtase do expansionismo. Constantemente surge uma necessidade em tais líderes de mostrarem-se capazes, e eles não conhecem outra forma de fazer isso que não seja tornando seus empreendimentos maiores, independente das conseqüências. É a incessante idéia de que tudo tem que crescer e crescer. Todavia, impressiona o fato de que a cobrança de Jesus aos seus discípulos estivesse relacionada à necessidade de fazer novos discípulos, e não construir grandes organizações. Ele precisa saber que os discípulos bem treinados em cada cidade e povoado dariam conta de conduzir o movimento cristão, sua centralização e expansão tão somente para causar uma impressão. A ganância e a busca desenfreada por mais é uma das principais situações que derrubam um grupo ou organização. Geralmente, quando se entra nesse processo descontrolado, corre-se o risco de se abandonar os princípios sobre os quais a entidade foi construída.
3. O terceiro estágio de declínio é desencadeado quando líderes e organizações ignoram ou minimizam informações críticas, ou se recusam a escutar aquilo que não lhes interessa. A negociação dos riscos é um perigo iminente – e riscos não levados a sério são justamente aqueles que, posteriormente, causam grandes estragos na organização. É preocupante, quando organizações que baseiam suas decisões em informações inadequadas. Em meu ministério de liderança, cedo aprendi a temer conselhos que começam com expressões como “Estão dizendo” ou “O pessoal está sentindo”. Prefiro valorizar dados precisos, vindas de pessoas confiáveis, sábias, que se engajam na tarefa de liderar a comunidade com sensatez. Isso nos possibilitou caminhar ao lado de gente que jamais imaginávamos que caminharia conosco. Nada me foi mais valioso do que receber, delas, informações que me ajudaram a conduzir minha congregação.
4. O estágio quarto começa, quando uma organização reage a um problema usando artifícios que não são os melhores. Por exemplo, uma grande aposta em um produto não consolidado, o lançamento de uma imagem nova no mercado, sem que se tenha certeza de que esta nova imagem é realmente melhor do que a já conhecida, a contratação de consultores que prometem sucesso ou a busca de um novo herói – como o político que vai salvar a pátria ou o executivo que em três meses vai tirar a empresa do buraco.
5. Collins menciona ainda o estágio cinco, que é o da rendição. Se as coisas saem do eixo, organizações tendem a perder a fé e o espírito.
Quando começa a morte de uma organização? Que sinais indicadores de vida foram perdidos ou negligenciados? Que princípios essenciais foram abandonados? Que informações não foram atendidas? Como recuperar o rumo em vez de ficar correndo atrás da multidão pegando toda onda que passa? Essas são boas perguntas. Se ignoradas, a organização cairá.
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