Eduardo Ferraz, consultor de negócios e autor de “Por que a Gente É do Jeito que a Gente É?”, afirma o seguinte: Você não vai mudar. Concentre-se nos pontos fortes e esqueça os fracos. Um professor de matemática que não é fã de literatura. Um escritor introvertido. Uma advogada ruim em cálculo. Todos esses profissionais apresentam características que podem ser consideradas um “ponto fraco”, mas, em suas áreas de trabalho, são pontos fracos com pouca ou nenhuma relevância. Um professor gago, um vendedor tímido ou um economista ruim em matemática, por outro lado, têm em seus atributos um grande limitador para o crescimento profissional.
Os profissionais só devem se preocupar com seus pontos fracos quando eles são limitadores. Do contrário, não vale o tempo empenhado. Isso porque a neurobiologia já demonstrou que o adulto muda pouco. Mas ou menos como um prédio. Depois de erguido, não se muda mais a estrutura de um edifício. Não dá para mudar a pilastra de lugar. O que dá para fazer é mudar o acabamento.
O que você precisa é conhecer seus pontos fortes, fracos e fracos limitadores. Isso sim, é essencial para alcançar melhores resultados na carreira e na vida.
O que é estrutura? É a base. Por exemplo: se você é uma pessoa introvertida, fechada, quando adulto, muito dificilmente, para não dizer impossível, você vai se transformar numa pessoa sociável, animada e falante. Mas isso não é fatalismo? Não, isso é ciência. A gente muda pouco.
Qual a alternativa para, por exemplo, a pessoa que acha que a timidez está atrapalhando a vida dela? Não há problema nenhum em ser tímido. O tímido vai ter características bastante diferentes do extrovertido. Ele é mais voltado a tarefas do que a pessoas. É mais concentrado. O que eu sugiro é o seguinte: por que você não aproveita melhor esse lado que já é bom? O mesmo vale para alguém extrovertido e falante, que não gosta muito de ficar em ambiente fechado. Se você tentar transformá-lo em um contados, que precisa ficar o dia num escritório, ele terá dificuldade. Primeiro descubra o que você consegue fazer de forma mais fácil, aquilo que você tem mais talento para fazer. Aquilo que você faz melhor.. Esses são seus pontos fortes – é daí que vão sair os melhores resultados.
E os pontos fracos? O ponto fraco, às vezes, é o “não talento” – mas nem sempre. Por exemplo, sou engenheiro (agrônomo) e não gosto de cálculo. Como uso pouco cálculo na minha vida, isso não é um ponto fraco – é um não talento. Agora, se eu fosse gago, como trabalho com treinamento e dou aulas, isso seria um ponto fraco limitador. Aí você tem de estudar, fazer fonoaudiologia, para tentar ficar menos gago, porque isso realmente está atrapalhando sua vida. A idéia é: potencialize aquilo em que você já é bom, e só tente mexer no seu ponto fraco se ele realmente limita profissionalmente. Do contrário, não vale a pena o tempo perdido.
O que é o ponto forte: é tudo aquilo que você faz sem esforço aparente, sem muita dedicação e, principalmente, que todo mundo fala que você faz bem, ou pelo menos acima da média. Basta prestar atenção. O ponto fraco é aquilo que você não gosta e não tem vontade de fazer. Mas a questão não é o ponto fraco, e sim o ponto fraco que te limita. Porque o ponto fraco só é um ponto de verdade quando ele é limitador. Quando atrapalha.
Cito outro caso: uma gerente comercial extremamente talentosa, que fechava muitos negócios e com bons relacionamentos, mas que tinha português péssimo. Tão ruim a ponto de ser piada na empresa. Ela estava usando os pontos fortes? Sim, a capacidade de fechar negócio, a liderança, estavam lá. Mas só que um ponto fraco, a gramática, estava limitando seu crescimento. Minha sugestão? Vai fazer aula de português. Releia os e-mails antes de enviar. Diminua esse ponto limitador, que ele deixa de ser limitante. Não vai fazer com que ela se torne uma escritora, mas vai diminuir esse ponto fraco.
Vou ilustrar tudo isso com uma fábula. Contam que, em uma marcenaria, houve uma estranha assembléia. Foi uma reunião onde as ferramentas juntaram-se para acertar suas diferenças. Um martelo estava exercendo a presidência, mas os participantes exigiram que ele renunciasse. A causa? Fazia demasiado barulho e além do mais, passava todo tempo golpeando.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu também que fosse expulso o parafuso, alegando que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque o parafuso concordou, mas por sua vez pediu a expulsão da lixa. Disse que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.
A Lixa acatou, com a condição de que se expulsasse o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fosse o único perfeito. Nesse momento entrou o marceneiro, juntou todos e iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro, o parafuso...
Quando o marceneiro foi embora, as ferramentas voltaram à discussão. E a rústica madeira se converteu em belos móveis . Então o serrote adiantou-se e disse: Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o marceneiro trabalha com nossas qualidades, ressaltando nossos pontos valiosos...
Assim, a assembléia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limpar e afinar asperezas, e o metro era preciso e exato. Uma grande alegria tomou conta de todos pela oportunidade de trabalharem juntos. Sentiam-se como uma equipe, capaz de produzir com qualidade. O mesmo ocorre com os seres humanos. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.